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Lília Diniz 

01 AGO 2018
01 de Agosto de 2018
Lília Diniz é artista maranhense forjada nas lutas dos movimentos sociais. Atua com performances poéticas, teatrais e musicais. Ao longo de 22 anos de carreira artística desenvolve trabalho voltado para a área dos Direitos Humanos, com recorte nas discussões de Gênero, Trabalho Escravo, Trabalho Infantil e outros. É arte-educadora e atua na formação de Iniciação ao Teatro Popular(de rua, mamulengo e teatro do oprimido), com oficinas de iniciação à poesia(escrita e declamação) e ainda na formação de educadores.

A artista possui cinco livros publicados, todos com características peculiares à região na qual nasceu, o nordeste. Desenvolve atividades com entidades da sociedade civil que atuam na área dos Direitos Humanos, em vários estados brasileiros, como a Cáritas Brasileira, o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (Açailândia-MA), MST, Centro de Direitos Humanos Padre Josimos(Imperatriz-MA), dentre outras. Integra o elenco e a coordenação do Grupo de Teatro de Mamulengo Fuzuê, além de ser fundadora e coordenadora de projetos da Associação Casa das Artes em Imperatriz-MA, entidade que atua na área de Arte, Cultura e Educação com projetos voltados para o desenvolvimento humano sob vários aspectos.




fonte:https://www.facebook.com/pg/liliadinizpoeta/about/?ref=page_internal

NASCI NO CRIOLI DO BINA

Lembrei dos fios que tecemos diariamente…
Urdiduras
Teço dia após dia
a mortalha que vestirei
Por enquanto
coloco botões
pequenos, grandes e coloridos
(caseio meus dias sempre antes de vivê-los)
Nos bordados já prontos
figuram borboletas
que levarão o melhor de mim
(restam duas ou três, não mais)
A minha mortalha escolhe sua cor
à medida que é tecida
um dia é amarela
no outro já é vermelha
(nunca escolheu ser branca)
E prego flores nos bordados intermináveis
Há noites que experimento
e sinto o gosto da morte
confesso que gosto e gozo
mas sou impelida a despir-me
pra terminar de tecê-la
(ainda hoje desmanchei um babado de cravos)

ARREMÊDO
Num sô fia de vaqueiro
nem fia de aboiadô
nem fia de repentista
ou de poeta emboladô
mas trago verso na língua
pro roceiro e pro dotô
Verso catado no chão
no pingo do meio dia
debaixo do sol rachando
queimando minha poesia
fundida com o sol a pino
que as letra se alumia
Sendo fia de roceiro
e quebradeira de coco
os meus versos são rasteiro
o que trago é muito pôco
nesse aboiar em lamento
o meu canto é muito rôco
Queima que nem cansanção
a minha alma brejeira
se não faço rimas, toadas
que me vêem na cumieira
do meu fogo pensamento
viro eu uma fogueira

TRAZ ESSE COCO MARIA
Faz a cocada
Que é pra mode
A gente comer
Traz esse coco Maria
Tira o leite
Rumbora botar no pexe
Pra gente comer
Meu babaçu que tanto quero liberto
Açaí e bacuri nós iremos liberto
Traz o macete o machado
Pega o cofo
Menina segura o coco
Rumbora o coco quebrar
Babaçuando nas brenhas do Maranhão
Desse coco quero o leite
O azeite e o carvão
O mesocarpo, palha, estrume, sabão
As filhas dessa palmeira
Resistindo a ambição
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